quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Chegou a hora de dizer adeus


Mais cedo ou mais tarde, sabia que este dia chegaria.

Quando o Geografia e tal surgiu, a minha intenção era preencher uma lacuna pouco explorada naquele longínquo ano de 2009.

A criação de um espaço que mostrasse as diferentes dimensões da ciência geográfica objetivava abordar e contextualizar os mais diversos temas com assuntos presentes em nosso cotidiano, seja através da música, do cinema, da literatura, dos acontecimentos de relevância na política internacional, entre outros.

Não queria fazer o melhor blog de Geografia, e sim um blog de estilo leve e atrativo para quem o visitasse, proporcionando um aprendizado em que a leitura transcorresse de forma totalmente prazerosa.

A ideia surtiu o efeito esperado. O blog cresceu e pude perceber que a forma fácil e acessível da linguagem utilizada contribuiu para a formação de um público tão diversificado quanto heterogêneo, composto por estudantes, colegas de profissão, simpatizantes da Geografia e curiosos em geral.

Entre tantos motivos de orgulho, além das inúmeras mensagens de incentivo e agradecimento, a constatação de que muitas das postagens aqui compartilhadas anteciparam questões exploradas nos vestibulares da vida.

Na verdade, eu via o Geografia e tal como uma extensão da sala de aula. De um modo ou de outro, os exemplos, as referências, enfim, tudo o que aparecia aqui era falado para os meus alunos. E sempre com muita paixão, autenticidade e, acima de tudo, aquele brilho no olhar característico de quem ama o que faz.

Como não podia deixar de ser, é claro que alguns erros foram cometidos no decorrer desse tempo, mas analisando a trajetória do blog, tenho certeza que o saldo foi extremamente positivo.

De resto, se cabe aqui alguma razão para justificar essa despedida, quando o prazer se torna enfadonho, quase uma obrigação, é hora de parar para que as coisas não saiam mal feitas.

Por fim, garanto que ponderei muito até tomar essa decisão. Durante algum tempo vou deixar esta postagem visível para quem aparecer, para depois, então, retirar o Geografia e tal do ar em definitivo, inclusive a página no Facebook que, seguindo a mesma proposta, atualizo até com uma razoável frequência com matérias das mais variadas fontes.

Pra vocês, saudações geográficas e o meu muito obrigado. De todo coração.

Márcio Tavares

domingo, 20 de novembro de 2016

Mapa da música


A reprodução cartográfica acima é fruto de uma ideia pra lá de original de um estúdio de criação britânico sediado em Londres, a Agência Dorothy, que, com mais de 200 referências musicais, mapeou o mundo com os títulos de mais de 1.200 canções em substituição que fazem alusão aos nomes de países, regiões e cidades das mais diversas partes do mundo.

Fonte: Nexo Jornal - 16/11/2016

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Seremos História? (Before the Flood)


Lançado em 30 de outubro último em mais de 170 países e traduzido em 45 idiomas pelo canal National Geographic (NatGeo), Before the flood (em português, Seremos História?) é um documentário dirigido por Fisher Stevens, com produção executiva de Martin Scorcese.

No filme, que conta com a presença do ator Leonardo DiCaprio como apresentador - nomeado em 2014 pela ONU como mensageiro da paz das alterações climáticas no mundo -, a questão dos impactos da ação humana alterando a dinâmica do funcionamento dos climas da Terra é mostrada como um sinal de alerta sobre a urgência de mudarmos a maneira pela qual tratamos o nosso planeta.



segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Jornais brasileiros vão à Justiça contra versões nacionais de sites estrangeiros


Falar em incoerência seria ingenuidade de minha parte, até porque os caras sabem muito bem o que estão fazendo. Mesmo assim, não deixa de ser um escracho perceber tanto o descaso quanto o descaramento que essa gente tem em relação ao povo e ao próprio país. 

Quando se trata de escancarar geral para os gringos sob o pretexto de “atrair investimentos” (dependendo de quem, é claro), a coisa é muito bem vinda. Mas se a situação envolve o sagrado papel dos meios de comunicação com a informação, aí, meu irmãozinho, o buraco é mais embaixo. A versão tida como oficial é inquestionável. Como pode um estrangeiro se atrever a contrariar os interesses do restrito grupo que controla a mídia brasileira e meter o bedelho para contar a todo o mundo o que de fato acontece por aqui?

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domingo, 17 de julho de 2016

A Segunda Guerra Fria: Geopolítica e dimensão estratégica dos Estados Unidos


Costumo dizer que nem sempre é fácil dimensionar o significado e o peso histórico de certos fatos no desenrolar dos próprios acontecimentos. No campo da geopolítica, então, é preciso muito mais do que um olhar crítico e aguçado para perceber com clareza todas as nuances que envolvem as motivações e os desdobramentos da influência ou até mesmo da intervenção que um determinado país pode exercer sobre outro.

Ainda que na maioria das vezes essas ações não se traduzam necessariamente em ocupação e ocorram de maneira sutil e quase imperceptível, devemos ter o máximo de cuidado para não nos prendermos àquilo que diz a grande mídia, principalmente quando sabemos que a maior parte desses veículos de comunicação atende aos interesses de um determinado grupo ou governo, seja para controlar e explorar seus recursos naturais, para expandir negócios e até mesmo intervir, impor diretrizes e praticar algum tipo de domínio sobre essas áreas que consideram de importância estratégica.

Além disso, analisar a situação de um país que atravessa momentos de turbulência política de forma isolada, e não dentro de um contexto maior e mais abrangente, é um equívoco capaz de provocar um grave erro de interpretação ou uma visão altamente distorcida dos fatos.

O livro A Segunda Guerra Fria, de autoria do cientista político e escritor Luiz Alberto Moniz Bandeira, lançado em 2013 pela Editora Civilização Brasileira, é uma dessas obras de quem fala com conhecimento de causa. A análise precisa e contundente que o autor faz sobre como os Estados Unidos continuam a agir para consolidar sua posição de liderança mundial nos faz pensar que nada do que acontece no mundo é fruto do acaso.

Leia abaixo a sinopse do livro extraída da página da própria editora.

Com base nas mais diversas fontes de informação, o renomado cientista político Moniz Bandeira analisa os acontecimentos que desde a dissolução do bloco socialista e a desintegração da União Soviética abalaram os países da Eurásia e ainda convulsionam o Oriente Médio e a África do Norte. Em A Segunda Guerra Fria, o autor defende a tese de que os Estados Unidos continuam a implementar a estratégia da full spectrum dominance (dominação de espectro total) contra a presença da Rússia e da China naquelas regiões.

“Importante contribuição da obra de Moniz Bandeira é a revelação documentada de que as revoltas da Primavera Árabe não foram nem espontâneas e ainda muito menos democráticas, mas que nelas tiveram papel fundamental os Estados Unidos, na promoção da agitação e da subversão, por meio do envio de armas e de pessoal, direta ou indiretamente, através do Qatar e da Arábia Saudita”, afirma o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, que assina o prefácio do livro. Moniz Bandeira aprofunda, desdobra e atualiza as questões apresentadas em outro livro de sua autoria – Formação do Império Americano (Da guerra contra à Espanha à guerra no Iraque), lançado em 2005. “Em face das revoltas ocorridas na África do Norte e no Oriente Médio a partir de 2010, julguei necessário expandir e atualizar o estudo. Tratei de fazê-lo, entre e março e novembro de 2012, em cima dos acontecimentos, i.e., ainda quando a história fluía, sempre se renovando, passando, como as águas de um rio”, afirma o autor. Considerado o mais importante especialista brasileiro em relações internacionais, Moniz Bandeira faz uma análise da situação do Brasil na conjuntura internacional. Ele fala sobre o surgimento de possíveis obstáculos para a formação de um bloco sul-americano e faz alertas, como a necessidade de deter a evasão de divisas promovida pelos capitais especulativos e a necessidade de o país ter competência militar para se defender e dissuadir.

Assista a seguir ao vídeo com o depoimento de Moniz Bandeira concedido ao canal Equipe GGN Notícias, do jornalista Luis Nassif.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Ironweed, de Hector Babenco


Todo mundo está cansado de saber que os estadunidenses não são muito chegados a reconhecer, falar ou mostrar suas mazelas, ainda mais se tratando de cinema.

É claro que existem exceções, e uma delas é o filme Ironweed, de 1987, um drama dirigido pelo argentino naturalizado brasileiro, Hector Babenco.

O filme é uma adaptação do romance homônimo, de William Kennedy, ganhador do prêmio Pulitzer, que também escreveu o roteiro.


A história gira em torno dos personagens Francis Phelan e Helen Archer, interpretados, de forma que dispensa maiores comentários, respectivamente, por dois monstros sagrados do cinema, Jack Nicholson e Meryl Streep, sem esquecer de Tom Waits, que enriquece o filme de um modo bem peculiar.


Mostrando um país que ainda vive sob os efeitos dos piores anos da Grande Depressão (o filme se passa em 1938), cada um dos protagonistas convive com seus próprios fantasmas e faltas de perspectivas. Enquanto Francis Phelan vive atormentado e não suporta a culpa de ter deixado cair no chão o seu filho menor, um bebê, vinte e dois anos antes, sua companheira, Helen, não se desvencilha de um passado em que era uma cantora e pianista de sucesso.


O resto, só conferindo.