domingo, 30 de agosto de 2009

Muro de Berlim




Para entender os motivos que fizeram com que o Muro de Berlim se tornasse o símbolo maior da Guerra Fria é necessário retroceder a um período anterior à sua construção para se perceber que a ideia da separação não foi uma decisão isolada ou sem sentido da antiga União Soviética.

Derrotada e arrasada após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a Alemanha foi obrigada a ceder mais de 100.000 km2 de seu território à Polônia, que se estendiam a este dos rios Oder e Neisse, além da região de Königsberg, atual Kaliningrado (um exclave russo espremido entre a Polônia e a Lituânia, que tem uma importância estratégica pela sua localização geográfica, à beira do mar Báltico).


Essa fragmentação também provocou a divisão da Alemanha em quatro zonas de ocupação, administradas pelos principais países aliados envolvidos no conflito.

A parte ocidental foi ocupada por tropas inglesas, francesas e estadunidenses, enquanto que a parte oriental, formada por cinco estados, transformou-se em zona de ocupação soviética.

Por tudo o que representava, o mesmo aconteceu com Berlim, situada no interior da zona de ocupação soviética. Berlim Oriental foi ocupada pela URSS, e Berlim Ocidental, por França, Inglaterra e Estados Unidos.



Em 1949, os estados do lado ocidental foram autorizados a promover uma reforma monetária que criou uma nova moeda, o marco alemão, desvinculada da moeda dos demais estados orientais, além da formação de uma Assembléia Constituinte, que instituiu uma nova Constituição, e do surgimento de um Estado alemão independente e separado, a RFA (República Federal da Alemanha).

Em oposição a essa atitude, cinco meses depois, a URSS autorizou a formação de um estado socialista alemão, que originou a RDA (República Democrática Alemã).

A ruptura era inevitável e a dissolução do Conselho de Controle Aliado, responsável pelas resoluções sobre o destino alemão, só veio a confirmar que a separação das duas Alemanhas representava muito mais do que aparentava, o mundo estava dividido entre os blocos comunista e socialista.

A partir de então as divergências se tornaram mais escancaradas e evidentes.

Logo após a criação da República Federal da Alemanha, o primeiro ministro eleito, Konrad Adenauer, promulgou a Hallstein-Doktrin, que estabelecia o rompimento de relações diplomáticas com os países que reconhecessem a República Democrática Alemã como país soberano.

Por outro lado, com a esperança de que Berlim Oriental ficasse integralmente sob sua tutela, o governo da RDA pressionava a URSS para que autorizasse o bloqueio de suas vias terrestres utilizadas pela RFA, para o abastecimento do lado ocidental da cidade.

O aumento das tensões entre os dois países era representado pela grande evasão de pessoas do lado oriental para o ocidental. Desde a formação das duas Alemanhas, mais de 3 milhões de refugiados se dirigiram para o lado ocidental e, somente no primeiro semestre de 1961, a RDA perdeu mais de 200 mil habitantes para a RFA, entre eles, muitos jovens e profissionais qualificados.

Em agosto desse ano, a URSS autorizou o governo de Walter Ulbricht a construir um muro, isolando totalmente a parte ocidental da cidade do resto do território da Alemanha Oriental.








O Muro de Berlim – ou Muro da Vergonha, como ficou conhecido – foi construído em 13 de agosto de 1961 e foi erguido por tropas do exército alemão-oriental, numa operação que durou apenas uma noite, tendo 162,2 quilômetros de extensão. Depois de pronto, passou a ser fortemente vigiado do lado leste por um forte esquema de segurança, que envolvia soldados, armamentos, cães, campos minados, além de um potente sistema de alarmes.





Do outro lado do muro, as mais variadas pinturas ou pichações referentes à unidade alemã e à insatisfação dos berlinenses quanto à violência da separação coloriam a paisagem da parte oeste da cidade.




Até que no final da década de 1980, ventos fortes sacudiram o bloco socialista a ponto de provocar profundas transformações na forma como o mundo estava configurado desde o final da Segunda Guerra Mundial.

E no dia 9 de novembro de 1989...





Se você quer saber mais sobre o assunto, o melhor site que já vi até agora a abordar tal questão não podia ser outro que não fosse alemão.

É a página da Deutsche Welle, a Onda Alemã, o equivalente alemão da BBC britânica.

O material disponibilizado é farto, com vídeos, fotos da época, reportagens, entrevistas e uma interessante cronologia sobre o período que envolveu desde a separação até a reunificação alemã.

Vale muito a pena conferir.


http://www.dw-world.de/dw/1,2692,12345,00.html



Outras fontes de consulta:

Construindo o Espaço, Igor Moreira e Elizabeth Auricchio (Editora Ática).

Território e Sociedade no Mundo Globalizado - Geografia Geral e do Brasil (Ensino Médio – Volume Único), Elian Alabi Lucci, Anselmo Lazaro Branco e Cláudio Mendonça (Editora Saraiva).

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